Barramento USB 2.0
Por Gabriel Torres em 23 de maio de 2001
Na semana passada falamos do Firewire (IEEE 1394), que é um barramento externo ao micro para a conexão de periféricos externos, similar ao USB, e que tem como grande atrativo uma alta taxa de transferência: 400 Mbps (o que dá aproximadamente 50 MB/s). Tanto o Firewire quanto o USB permite que você instale facilmente periféricos externos ao micro, tais como câmeras digitais, teclados, mouses, impressoras, Zip-drives, gravadores de CD, discos rígidos etc, através de um conector padronizado disponível na placa-mãe do micro (no caso do USB) ou através de uma placa extra adicionada ao micro (no caso do Firewire).
O USB Implementers Forum (http://www.usb.org), que é o grupo de fabricantes que desenvolveu o barramento USB, já desenvolveu a segunda versão do USB, chamada USB 2.0 ou High-speed USB. Essa nova versão do USB possui uma taxa máxima de transferência de 480 Mbps (aproximadamente 60 MB/s), ou seja, uma taxa maior que a do Firewire e muito maior do que a versão anterior do USB (chamada 1.1), que é a versão que temos hoje em nossos micros e que permite a conexão de periféricos usando taxas de transferência de 12 Mbps (aproximadamente 1,5 MB/s) ou 1,5 Mbps (aproximadamente 192 KB/s), dependendo do periférico.
O grande problema do USB era a sua taxa de transferência. Basta lembrarmos que a maioria dos discos rígidos existente hoje no mercado opera com uma taxa de 66 MB/s. Como o barramento USB atualmente utilizado só transfere 1,5 MB/s, um disco rígido externo conectado ao micro através do barramento USB é extremamente lento. Para aplicações mais comuns - como impressoras, scanners e câmeras de vídeo - a taxa de transferência do USB é satisfatória. O problema mesmo é na conexão de periféricos que exijam altas taxas de transferência, basicamente sistemas de armazenamento de dados, como discos rígidos, gravadores de CD e Zip-drives.
A porta USB 2.0 continua 100% compatível com periféricos USB 1.1. Ao iniciar a comunicação com um periférico, a porta tenta comunicar-se a 480 Mbps. Caso não tenha êxito, ela abaixa a sua velocidade para 12 Mbps. Caso a comunicação também não consiga ser efetuada, a velocidade é então abaixada para 1,5 Mbps. Com isso, os usuários não devem se preocupar com os periféricos USB que já possuem: eles continuarão compatíveis com o novo padrão.
Um detalhe importantíssimo é que hubs USB 1.1 não conseguem estabelecer conexões a 480 Mbps para periféricos conectados a eles. Por exemplo, se você tem um teclado USB 1.1 que possua um hub USB 1.1 embutido, periféricos USB 2.0 conectados a esse teclado só conseguirão se comunicar a, no máximo, 12 Mbps com o micro, e não a 480 Mbps. Portanto, você deve prestar muita atenção a esse detalhe.
A grande vantagem do USB 2.0 sobre o Firewire é, portanto, a compatibilidade com os periféricos USB já existentes. Lembramos também que o Firewire foi destinado basicamente ao mercado de áudio e vídeo, permitindo que câmeras de vídeo e novos equipamentos de áudio e vídeo profissionais pudessem ser ligados ao micro com um custo muito abaixo do que o hardware normalmente necessário para esse tipo de conexão. Podemos dizer, portanto, que o mercado-alvo do USB e do Firewire são, de certa forma, diferentes. Só agora é que o USB poderá também concorrer nesse mercado, com a sua versão 2.0, e poderá demorar um bom tempo até que apareçam equipamentos de áudio e vídeo com conectores USB.
Ainda é incerto o tempo que demorará para que os periféricos USB 2.0 cheguem ao mercado. Apesar de no site do USB Implementers Forum (http://www.usb.org) já ter uma lista de fabricantes que estão desenvolvendo produtos USB 2.0, ainda não podemos precisar com certeza quanto tempo eles demorarão para aparecer. É sempre bom lembrar que o USB começou a ser desenvolvido em 1995 e somente no ano passado (2000) é que os periféricos USB começaram a realmente a invadir a casa dos usuários - ainda assim de uma forma muito mais tímida do que os desenvolvedores do padrão USB previam.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/468
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