Com os computadores (e usuários) exigindo cada vez mais fontes de alimentação melhores, nada mais natural do que publicações (sites especializados e revistas) publicarem testes de fontes de alimentação. Mas ao contrário de outros componentes de hardware, como processador, placa-mãe e placa de vídeo, testar fontes de alimentação não é para qualquer um, pois exige um conhecimento aprofundado em eletrônica. Como a maioria das pessoas responsáveis pelos testes são usuários com conhecimentos acima da média em informática – mas não em eletrônica – praticamente todos os testes de fontes de alimentação publicados estão completamente errados. O pior é que alguns sites recomendam produtos que são na verdade verdadeiras “bombas”. Neste artigo explicaremos em detalhes porque 99% dos testes de fontes de alimentação publicados na internet e em revistas estão errados e esperamos que as pessoas responsáveis pelos testes aprendam mais sobre este assunto e também que os usuários aprendam a identificar testes ruins.
A metodologia mais usada para testar fontes de alimentação consiste em simplesmente colocar um multímetro nas saídas da fonte e verificar se existe qualquer flutuação nas tensões. Alguns sites até mesmo comparam as tensões encontradas com os níveis de tensões encontrados em produtos concorrentes. O problema é que este procedimento está errado e não diz nada sobre a fonte de alimentação.
O problema mais comum com fontes de alimentação é a sua incapacidade de fornecer a corrente rotulada (e, desta forma, potência). Medir as tensões de saída da fonte de alimentação não dirá nada em relação a isto.
As pessoas que realizam testes desta forma provavelmente acham que pelo menos podem ver se existe qualquer flutuação nas saídas da fonte, mas na verdade eles não serão capazes de medir isto.
A idéia de medir a fonte de alimentação com um multímetro vem das fontes de alimentação lineares, onde a fonte tem um circuito regulador de tensão separado (normalmente feito por um circuito integrado ou por um diodo zener, às vezes com ajuda de um transistor de potência). Neste tipo de fonte de alimentação faz sentido o uso do multímetro para verificar se o circuito regulador está funcionando corretamente ou não. Mesmo neste caso, simplesmente colocando o multímetro não dirá a você se a fonte de alimentação é capaz de fornecer a potência/corrente rotulada. Você precisará criar uma carga nas saídas da fonte de alimentação.
Em fontes de alimentação lineares, já que utilizam um sistema de laço aberto (falaremos mais sobre isto adiante), a tensão de saída pode aumentar ou diminuir de acordo com a carga aplicada – daí a idéia de se usar um multímetro em paralelo com a carga para verificar se existe qualquer flutuação dependendo da carga. Neste caso faz sentido.
Fontes de alimentação usada nos PCs são chaveadas e que trabalham de modo bastante diferente das fontes lineares. As fontes chaveadas utilizam um sistema de laço fechado, o que significa que a fonte mede suas tensões de saída e as corrige caso exista qualquer flutuação. Isto é feito pelo circuito PWM, que é o responsável pelo chaveamento dos transistores do primário. Em outras palavras, caso exista qualquer flutuação nas tensões de saída, o circuito PWM saberá e imediatamente aumentará ou diminuirá o ciclo de trabalho do sinal aplicado aos transistores chaveadores de modo a corrigir isto. Como a freqüência do sinal aplicado aos transistores está na faixa dos KHz, levaria apenas alguns microssegundos para a fonte de alimentação corrigir qualquer flutuação encontrada em suas saídas. Por isso nenhum multímetro seria capaz de medir flutuações em uma fonte de alimentação chaveada, caso exista.
Além disto, como a fontes de alimentação usadas nos PCs têm cinco saídas diferentes (+12 V, +5 V, + 5 VSB, +3,3 V e –12 V) você precisaria conectar cinco multímetros na fonte de alimentação ao mesmo tempo, e publicações que empregam esta metodologia normalmente usam apenas um multímetro, medindo as saídas em momentos diferentes, com condições diferentes (carga, temperatura, etc). Mesmo se você conectar cinco multímetros precisará ler os valores de todos eles ao mesmo tempo. Não conhecemos nenhum ser humano capaz de tal proeza, de ler e anotar os resultados de cinco instrumentos ao mesmo tempo. Mesmo que você seja realmente rápido, levará alguns segundos para fazer essas medidas. Como já explicamos antes, coisas dentro da fonte de alimentação do micro acontecem em microssegundos e diferenças de segundos fazem uma grande diferença.
Uma forma de empregar a metodologia acima corretamente é usar um dispositivo para capturar os valores de todas as cinco saídas ao mesmo tempo, como um coletor de dados digital. O problema é que mediríamos as tensões, que, mais uma vez, não diz nada. Uma forma correta para testar uma fonte de alimentação usando esta metodologia é medir a corrente (e não a tensão) das cinco saídas ao mesmo tempo usando um coletor de dados, se você adicionar a carga correta na fonte de alimentação. Na verdade, esta metodologia é um das sugeridas por um engenheiro da Intel e pode funcionar se você tiver o equipamento certo. Nós falaremos mais sobre isto na próxima página.
Um outro problema a respeito do uso de multímetros é a precisão. Nós não podemos garantir a precisão de multímetros de baixo custo. Além disso, se você colocar cinco multímetros, não podemos garantir que eles estejam calibrados entre si, mostrando exatamente os mesmos resultados quando medimos a mesma coisa. |